Tem gente que confunde estabilidade com imobilidade. Acha que ficar parado é sinônimo de ter conquistado alguma coisa. Compra um sofá confortável, decora a casa com bom gosto, organiza a vida em gavetas certinhas — e esquece de organizar também uma mala.
Eu não.
Levei décadas para entender uma coisa simples: raiz é de árvore. A gente tem pernas. Tem passaporte, tem vontade, tem essa inquietação danada que não cabe dentro de quatro paredes, por mais bonitas que sejam as paredes.
E olha que ironia: é exatamente agora, depois dos cinquenta, que muita gente decide se aquietar. Como se a vida tivesse uma data de validade para a ousadia. Como se o mundo fosse coisa de gente jovem e, depois de uma certa idade, a gente devesse apenas observar de longe, com aquele ar de quem já viu de tudo.
Já vi de tudo?
Mentira.
Não vi nem a metade.
Não vi o cheiro de canela das ruas de Marrakech numa manhã fria. Não vi o silêncio de um templo budista ao amanhecer. Não sei ainda como é dormir ouvindo o mar de um lugar onde nunca pisei.
E olha que o tempo, esse sim, está ficando curto. É justamente por isso que não posso mais perder tempo adiando.
Quando a gente é jovem, acredita que tem o mundo inteiro pela frente. Então adia.
Depois dos cinquenta, descobre que esse luxo acabou.
E essa talvez seja a melhor notícia que alguém pode receber.
Porque urgência, quando bem usada, não é desespero.
É combustível.
Não estou falando apenas de aeroporto, mala despachada ou roteiro fechado.
Estou falando de qualquer viagem que tire a gente do lugar.
Inclusive daquelas feitas dentro de um livro, de um filme ou de uma boa conversa.
Viajar é sair de onde se está.
E dá para sair de muitas maneiras.
Mas, convenhamos…
As melhores histórias normalmente vêm com um selo no passaporte.
O Bagagem Prateada nasce assim.
Sem pedir licença para a idade.
Vai ter dicas práticas.
Vai ter histórias.
Vai ter erros.
Vai ter acertos.
Vai ter risadas.
E vai ter aquelas conversas que fazem a gente terminar um café já pesquisando uma passagem aérea.
Prateada não é a cor do cabelo.
É o brilho de quem descobriu, no caminho, que parar é o verdadeiro risco.
Então puxe uma cadeira.
Daqui para frente, a gente viaja junto.
Dani Riffel

