Naquela manhã, saí da estação Trocadéro sabendo exatamente quem eu iria encontrar.
A ansiedade era tanta que subi a escada olhando para cima, como se tivesse medo de perdê-la por um segundo sequer. Primeiro apareceu o céu. Azul. Limpo. Era início de junho e Paris parecia ter escolhido um dos seus dias mais bonitos para o nosso encontro.
Esperei mais de meio século por aquele momento.
Eu tinha 52 anos.
Durante muito tempo, achei que aquele sonho era bonito demais para acontecer comigo.
À medida que eu me aproximava da saída da estação, as pessoas começaram a surgir diante de mim. Turistas caminhavam de um lado para o outro, conversavam, fotografavam alguma coisa que eu ainda não conseguia ver.
Eu sabia exatamente o que eles estavam olhando.
Bastaram mais alguns passos.
E ela apareceu.
Imponente.
Inconfundível.
Depois de uma vida inteira de espera, eu finalmente estava diante dela.
Eu não caminhei até a Torre.
Não consegui.
Fiquei completamente imóvel.
Talvez por um minuto. Talvez um pouco mais.
O tempo simplesmente deixou de existir.
As lágrimas vieram no mesmo instante em que meus olhos encontraram a Torre.
No meio daquele silêncio, só consegui pensar em uma coisa.
Estou aqui.
Depois de cinquenta e dois anos.
Depois de tantos medos.
Depois de tantos adiamentos.
Eu estava ali.
A fotografia mente.
Ela diminui as coisas para caberem na palma da mão.
Mas, quando você sai do metrô no Trocadéro e dá de cara com aquela imensidão de ferro, o coração erra uma batida.
A Torre tem vida própria.
Tem uma imponência que te esmaga e, ao mesmo tempo, te acolhe.
Você vira uma criança diante dela.
Existem grandezas que o mundo só te deixa entender quando você está ali, dividindo o mesmo ar.
Ao meu redor, o Trocadéro estava cheio. Turistas conversavam, tiravam fotografias, crianças corriam pela praça.
Mas eu não via mais ninguém.
Naquele momento, só existíamos nós duas: eu e a Torre Eiffel.
Voltei para casa naquele dia com dezenas de fotografias.
Mas nenhuma delas conseguiu registrar o que realmente aconteceu naquela manhã.
Porque algumas viagens a gente guarda no celular.
Outras, para sempre na alma.

