Na minha primeira viagem a Paris, em 2022, desembarquei no Aeroporto Charles de Gaulle com uma amiga e uma mala de mão. Para chegar ao hotel, escolhemos o transporte público.
Pegamos o RER B no aeroporto, fizemos baldeação na estação Denfert-Rochereau e seguimos pela linha 6 do metrô até Cambronne, praticamente na esquina do hotel.
Naquele primeiro momento, tudo parecia uma pequena aventura. Era a primeira vez em Paris, estávamos tentando entender as placas e ainda carregávamos a expectativa de finalmente conhecer a cidade. Apesar disso, o deslocamento foi tranquilo e conseguimos viajar sentadas durante todo o trajeto.
Na volta, fizemos o caminho inverso: metrô até a conexão com o RER B e, depois, seguimos em direção ao Charles de Gaulle. O metrô estava tranquilo, mas o RER estava muito cheio. Fomos em pé praticamente até o aeroporto.
Foi possível? Sim. Mas confortável não foi.
Metrô em Paris: mais fácil do que parece
Durante minhas estadias, utilizei principalmente o metrô. Para quem olha o mapa pela primeira vez, aquela quantidade de linhas pode parecer complicada. Mas as estações são bem sinalizadas e, com atenção às placas, tudo vai ficando bastante intuitivo.
Minha dica é simples: perca o medo e vá.
Antes de entrar no trem, observe o número da linha e, principalmente, o nome da estação que aparece no final daquela direção. É isso que indica para qual lado você deve seguir.
Também vale conferir o trajeto antes de sair do hotel e manter um aplicativo de transporte no celular. Mesmo assim, não caminhe olhando apenas para a tela: pare, observe as placas e confirme a direção com calma.
Paris convida a caminhar, mas as distâncias se acumulam ao longo do dia. Depois de visitar museus, subir ladeiras e percorrer bairros inteiros, usar o metrô economiza tempo e energia.
Quando o cansaço falou mais alto
Em uma das noites, depois de caminhar o dia inteiro, percebi que já não tinha disposição para voltar ao hotel de metrô. Pedi um Uber e a experiência foi satisfatória.
Hoje entendo que saber a hora de escolher mais conforto também faz parte de viajar bem. Não precisamos transformar cada deslocamento em uma prova de resistência.
O metrô pode ser a melhor opção durante quase toda a viagem, mas nada impede que você recorra a um carro quando estiver cansada, carregando compras ou simplesmente quiser chegar ao hotel com mais tranquilidade.
Minha segunda chegada: táxi a partir de Orly
Na segunda viagem, em 2023, fui com meu marido e desembarquei no Aeroporto de Orly. Dessa vez, preferimos pegar um táxi.
O valor era tabelado e pagamos aproximadamente 35 euros até o hotel. Para duas pessoas, depois de um voo e carregando as malas, achei uma escolha confortável e prática.
É importante observar que esses valores mudam. Em 2026, a tarifa oficial máxima do táxi entre Orly e a margem esquerda de Paris — onde fica a região de Cambronne — é de 36 euros. Para a margem direita, o valor é de 45 euros. Pode haver um adicional quando o táxi é reservado antecipadamente. Essas tarifas são regulamentadas pelo governo francês e valem para o veículo, não por passageiro. Consulte os valores oficiais atualizados.
No retorno ao aeroporto, preferimos chamar um Uber. Foi uma escolha de conforto e segurança naquele momento, especialmente porque não queríamos repetir a experiência de viajar em um RER lotado.
Trem para o aeroporto: barato, mas nem sempre confortável
Não desaconselho completamente o RER para chegar ao Charles de Gaulle. Eu mesma utilizei o transporte e cheguei ao meu destino. Entretanto, é preciso considerar o perfil de cada pessoa.
Quem viaja com pouca bagagem, tem disposição e não se incomoda com vagões cheios provavelmente conseguirá fazer o trajeto sem grandes problemas. Já quem tem dificuldade para ficar em pé, carrega uma mala pesada ou prefere evitar baldeações pode sentir bastante desconforto.
O trem também está sujeito aos horários de maior movimento. Minha ida foi tranquila e sentada; minha volta foi em pé, num vagão lotado. A experiência pode mudar bastante dependendo do horário.
Em 2026, o bilhete ferroviário entre Paris e os aeroportos custa 14 euros por pessoa e atende o Charles de Gaulle pelo RER B. Orly agora também possui acesso pela linha 14 do metrô, uma alternativa que não existia da mesma forma durante minha viagem de 2023. As tarifas e opções devem ser conferidas antes da viagem no site da RATP ou no aplicativo oficial da Île-de-France Mobilités.
Onde fiquei hospedada
Nas duas viagens escolhi o ibis Paris Tour Eiffel Cambronne. Voltei porque considero um bom custo-benefício.
A estação Cambronne fica praticamente na esquina, o que facilita muito os deslocamentos. Também é possível caminhar até a Torre Eiffel em aproximadamente 15 ou 20 minutos, dependendo do ritmo.
Fui bem atendida e encontrei funcionários que falavam português, algo que pode trazer tranquilidade para quem ainda não se sente seguro com o francês ou o inglês.
Outro detalhe prático foi ter acesso a um micro-ondas no hotel. Há uma loja Picard ao lado do hotel, onde é possível comprar pratos congelados e aquecê-los. Essa dica salva quando a fome aperta, você está cansada e não tem mais disposição para procurar um restaurante.
O transporte ideal depende de você
Não existe uma opção perfeita para todas as pessoas.
Durante a estadia, considero o metrô prático, eficiente e relativamente fácil de usar. Já para os trajetos entre a cidade e o aeroporto, eu avaliaria com mais cuidado.
Se você estiver apenas com mala de mão, tiver disposição e quiser economizar, o transporte ferroviário pode funcionar muito bem. Se priorizar conforto, tiver mobilidade reduzida ou não quiser enfrentar vagões cheios, considere reservar um táxi, Uber ou transfer.
Ao escolher o transporte rodoviário, saia cedo: o trânsito de Paris pode aumentar bastante o tempo do percurso.
Minha experiência me ensinou que viajar depois dos 50 não significa evitar aventuras. Significa conhecer o próprio ritmo e escolher conscientemente onde economizar energia.
Dentro da cidade, meu conselho continua sendo: perca o medo e vá de metrô. Para o aeroporto, pense na sua bagagem, no horário e no nível de conforto que deseja. Afinal, a viagem também acontece no caminho — e ela não precisa terminar em exaustão.

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